terça-feira, 3 de julho de 2012

Ler me fez compreender a largueza do mundo

Os livros que mudaram a minha vida foram dois. Poesias completas, de Fernando Pessoa, e Grande Sertão: veredas, do Guimarães Rosa.
Estava no ginásio e a minha irmã mais velha tinha acabado de entrar na faculdade de Letras, na PUC, quando apareceu em casa com aquele livro de folhas fininhas e aqueles poemas... e fui me encantando com aquele jeito de juntar as palavras e, ao menos nos cinco anos seguintes, só li Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos. Li e reli e nunca me cansei. Até hoje. Foi ali que descobri que existia um jeito de juntar as palavras para deixá-las belas. E que a poesia era mais forte do que a prosa. Entusiasmo de adolescente. Eu já era jornalista, atuava no Fantástico e viajava pelo Brasil quando li Grande Sertão. As lembranças dessa época, aeroportos, bancos, lugares de espera, paisagens, quartos de hotel são todas com sotaque de sertão, palavras absolutas que me abriam novas possibilidades. Então era possível ler numa outra língua e compreender a largueza do mundo! Fiquei feliz.
                                                                                           Neide Duarte, repórter da TV Globo(Revista Metáfora,nº 9 - 2012)

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